Completar-se no outro


Nenhuma manifestação de afeto, ou mesmo de sexualidade, exige mais cumplicidade do que o BDSM. Temos nossos riscos, assumidos, consentidos, talvez calculados, ou nem tanto... A submissa entrega-se. Algo mais que natural para ela. Seu Dono a toma. Algo mais que natural para ele. Porém, há CUMPLICIDADE ?

Nesses anos dentro do meio, já vi muitas cenas, algumas públicas, outras fechadas, mas nem sempre, ou raramente, vejo total cumplicidade nelas.

Sou da opinião que a maior manifestação do amor é a cumplicidade. Podem me acusar de romântico... Aceito a sentença. Mas eis que um BDSM sem envolvimento, sem PAIXÃO, torna-se sem sabor, sem gosto, sem a magia insana de olhar para o abismo e o abismo olhar de volta pra você. E aqui, esbarramos na coragem...

Muitos e muitas não tem a devida coragem para ser feliz. Passam meses, anos, procurando um "Dom Perfeito" ou uma "sub perfeita". Com alguma sorte até encontram. E quanto encontram fazem de tudo para sabotarem a si mesmos.

Têm medo de realmente ter encontrado a felicidade.

Há quem diga que um Dom verdadeiro não pode ter sentimentos por sua submissa. Discordo veementemente. Pode perfeitamente, até amá-la. Porém arrisca-se ao amar, pois amando nos fragilizamos do alto da nossa Dominação. Tornamo-nos mais carinhosos, mais maleáveis, menos torturadores, até mesmo menos rígidos?

É uma equalização difícil de se conseguir. E há que se ter maestria para se equilibrar entre a AUTORIDADE e a TERNURA de um Dom.

Um Dom que ama sua sub, um Dom que tem Afeto, Carinho, Cumplicidade com sua sub corre sim o risco de nos meandros do seu coração, enfraquecer o pulso e mostrar um lado sentimental demais.

Mas será que o Dom que nunca desce do pedestal da sua autoridade já sentiu de fato a felicidade de fazer sua submissa feliz? Lá do alto, será que ele de fato consegue enxergar?

Este texto foi escrito por Dom Montecristo em sua comunidade do Orkut BDSM e Psicanálise: Análises.

Fiz questão de reproduzir o texto na íntegra aqui no blog pelo simples fato de concordar com cada uma das palavras que foram escritas. Concordo em dizer que para mim uma relação BDSM sem envolvimento sentimental, independente de sua intensidade, não é uma relação completa.

Respeito quem pensa o contrário e vive o seu BDSM também de forma contrária ao meu pensamento.

Em seu texto Dom Montecristo cita que o Dominador por desenvolver um sentimento mais pessoal pela sua submissa, acaba saindo de sua "zona de proteção" (o pedestal) e devido a isso torna-se um Dom mais vulnerável, o seu julgamento agora é confrontado com diversos outros elementos e o seu coração pode, muitas vezes, ser o juíz de muitas situações de escolha. Algumas vezes ele pode até falar mais alto. Sim, o risco é muito maior a ser enfrentado, pois teremos um Dominador que foge daquele padrão que vemos na literatura.

Entretanto, será que existe prazer em seguir sempre a razão? Será que relacionar também com a emoção não torna a relação mais intensa, tanto para o Dom como também para a submissa?

Sim, eu sei!

Fazendo isso, o Dominador pode se expor demais e abrir muitos precedentes. Afinal, para a submissa, como se submeter a um indivíduo que demonstra ter tantos ou mais "defeitos" que ela? Se você é submissa é está procurando uma resposta para essa pergunta, sinto muito em dizer: você nunca saberá o que é realmente pertencer a alguém.

Da mesma forma que um Dom aceita uma submissa com as suas limitações, seus medos e promete fazê-la uma pessoa melhor. Uma submissa também deve fazer a mesma promessa.

Eu sou daquele tipo de Dom que prefire olhar nos olhos da submissa bem de perto, como na foto acima. Não dou muito certo com pedestais.

4 comentários:

Joie disse...

Gostei muito da explicação do texto.

Beijos

Joie

Don't leave me disse...

Good morning my friend.
You have a very nice blog.


Buen fin de semana.

"Don't"
Athens.

{nanda}_FX disse...

Senhor...

Tb li este texto na comunidade e concordo com cada palavra... simplesmente porque acredito que um Dominador que se envolve não perde em nada seu poder ante sua peça, mas seguramente consegue aproveitar muito mais de uma entrega, que se torna unica... porque não é mecanica, e o desejo de superação da submissa é sempre existente...
E não há como não evoluir desta forma, simplesmente porque a evolução faz parte do desejo de ambos... em uma cumplicidade, muitas vezes inaudita...

saudações

Hellena disse...

Concordo em genero número e grau, Sr.
Sem envolvimento emocional de ambos, a entrega não é completa.
Sempre falta alguma coisa.
Bjsssssssss

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